Água de reuso: economia para os cofres públicos e para o meio ambiente
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É muito contraditório que, em um planeta coberto por água em 70% de sua superfície, cerca de 250 milhões de pessoas sofram de escassez crônica deste precioso líquido. E é ainda mais alarmante saber que a estimativa é de que esse número salte para três bilhões, dentro de 30 anos. Tudo porque não só a população tem aumentado – o desperdício também. E em proporções assustadoras.
Em São Paulo, a realidade não é mais animadora. Pesquisas apontam que o abastecimento para a Região Metropolitana só está garantido até 2010, em decorrência da urbanização, à expansão da população e à pobreza acentuada nos últimos 30 anos.
Dois dos maiores reservatórios da cidade, Guarapiranga e Billings, responsáveis por levar água a milhões de pessoas, estão ameaçados pela poluição. Como conseqüência, São Paulo se vê obrigada a recorrer a outras fontes de abastecimento, em outros municípios.
De acordo com a ONU, para desacelerar esse quadro são necessárias duas medidas: aumentar a disponibilidade da água e utilizá-la mais eficazmente.
Nove milhões de Reais. Esse é o valor que os cofres públicos já economizaram desde 2003, quando foi implantado o projeto de água de reuso, de autoria de Gilberto Natalini. Desde então, os espaços públicos não são mais lavados ou irrigados com água potável – cujo metro cúbico custa quase R$ 10 para a Prefeitura. Agora, essas tarefas são realizadas com a água não-potável proveniente das Estações de Tratamento de Esgoto da Sabesp, cujo custo é irrisório: R$ 0,70 por metro cúbico.
Usando água potável, os gastos da Prefeitura nos últimos seis anos com lavagem e irrigação de espaços públicos teria sido da ordem de R$ 10 milhões. Com a água de reuso esse valor cai para R$ 800 mil.
O objetivo desta lei é reduzir um dado alarmante: o paulistano consome, em média, 170 litros de água por dia. E a perspectiva nacional é ainda pior: o brasileiro é responsável por um consumo cinco vezes maior do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Mas com um pouco de consciência e responsabilidade ambiental, essa realidade pode ser revertida. A lei de reuso já traz resultados: em seis anos de vigência, já economizou quase um bilhão de litros de água potável, além dos R$ 9 milhões. A previsão é de que essa economia se amplie, na medida em que o programa de reuso se expanda. Tudo baseado no simples conceito da “reciclagem” da água e pautado pela postura ecologicamente correta. O uso consciente da água é um dever de todos nós, cidadãos e poder público.

O Radar Verde agrega informações sobre sustentabilidade, tecnologia verde, ecologia, meio ambiente e assuntos correlatos.
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Muito legal este post!
28 September 2009 at 3:20 pm