Dia de homenagens a Chico Mendes
“No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade.”
Chico Mendes
O Congresso esso Nacional fará sessão solene hoje para lembrar o 20º ano da morte do seringueiro, líder sindical e ativista ambiental Francisco Alves Mendes Filho, o Chico Mendes. Assassinado por volta das 18h do dia 22 de dezembro de 1988 no quintal de sua casa, em Xapuri (AC), uma semana depois de completar 44 anos, Chico é um símbolo da luta contra a devastação ambiental.
Os pronunciamentos a respeito da vida e da luta de Chico Mendes serão feitos na tribuna, a partir das 11h, na presença da ex-mulher dele, Ilzamar, dos filhos Sandino e Elenira, e de Ângela, do seu primeiro casamento. Uma comitiva do Acre, liderada pelo governador Binho Marques (PT), prestigiará o ato.
Para conhecer a vida deste seringueiro e ativista, indicamos duas obras: ”Amazônia em Chamas”, lançado em 1994 pela Warner Brothers associada à produtora HBO Pictures, Chico Mendes é representado pelo ator Raúl Juliá. Em Amazônia, de Galvez a Chico Mendes, minissérie escrita por Glória Perez e produzida pela Rede Globo em 2007, o ator Cássio Gabus Mendes interpreta o papel de Chico Mendes adulto.
Como resultado da luta de Chico Mendes, o Brasil tinha, em 2006, 43 Reservas Extrativistas (Resex) que abrangem 8,6 milhões de hectares e abrigam 40 mil famílias. Este tipo de Unidade de Conservação (UC) de uso sustentável garante legalmente a preservação dos recursos naturais e, ao mesmo tempo, a manutenção da atividade econômica e a posse coletiva da terra pelas populações tradicionais (seringueiros, castanheiros, babaçueiros, caiçaras etc). A criação de uma Resex e a regularização fundiária estabelecida por ela, permitem a esses grupos ter acesso a financiamento agrícola, programas de segurança alimentar e investimentos na comercialização de seus produtos. Também fica mais fácil conseguir a construção de escolas e postos de saúde.
Em 1989, o Grupo Tortura Nunca Mais, uma ONG brasileira de Direitos Humanos, criou o prêmio Medalha Chico Mendes de Resistência uma homenagem não só ao próprio Chico Mendes, mas também a todas as pessoas ou grupos que lutam pelos Direitos Humanos e por uma sociedade mais justa. O prêmio é entregue todos os anos e personalidades como Dom Paulo Evaristo Arns, Jaime Wright, Luísa Erundina, Hélio Bicudo, Paulo Freire, Barbosa Lima Sobrinho, Herbert de Souza, Alceu Amoroso Lima, Luís Fernando Veríssimo, Zuzu Angel, Oscar Niemeyer, Brad Will e organizações como a Human Rights Watch, Anistia Internacional, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Centro de Mídia Independente (CMI) e a Comissão de Justiça e Paz de São Paulo já receberam a homenagem.
Vida (dados da Wikipedia)
Ainda criança começou seu aprendizado do ofício de seringueiro, acompanhando o pai em excursões pela mata. Só aprendeu a ler aos 20 anos de idade, já que na maioria dos seringais não havia escolas, nem os proprietários de terras tinham intenção de criá-las em suas propriedades. Iniciou a vida de líder sindical em 1975, como secretário geral do recém-fundado Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia. A partir de 1976 participou ativamente das lutas dos seringueiros para impedir o desmatamento através dos “empates” – manifestações pacíficas em que os seringueiros protegem as árvores com seus próprios corpos. Organizava também várias ações em defesa da posse da terra pelos habitantes nativos.
Em 1977 participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, e foi eleito vereador pelo MDB local. Recebe então as primeiras ameaças de morte, por parte dos fazendeiros, e começa a ter problemas com seu próprio partido, que não se identificava com suas lutas. Em 1979 Chico Mendes reúne lideranças sindicais, populares e religiosas na Câmara Municipal, transformando-a em um grande foro de debates. Acusado de subversão, é submetido a duros interrogatórios. Sem apoio, não consegue registrar a denúncia de tortura que sofrera em dezembro daquele ano.
Chico Mendes foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e um dos seus dirigentes no Acre, tendo participado de comícios com Lula na região. Em 1980 foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional a pedido de fazendeiros da região, que procuraram envolvê-lo no assassinato de um capataz de fazenda, possivelmente relacionado ao assassinato do presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Brasiléia, Wilson Sousa Pinheiro. Em 1981 Chico Mendes assume a direção do Sindicato de Xapuri, do qual foi presidente até sua morte. Candidato a deputado estadual pelo PT nas eleições de 1982, não consegue se eleger.
Acusado de incitar posseiros à violência, foi julgado pelo Tribunal Militar de Manaus, e absolvido por falta de provas, em 1984. Liderou o 1º. Encontro Nacional dos Seringueiros, em outubro de 1985, durante o qual foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), que se tornou a principal referência da categoria. Sob sua liderança a luta dos seringueiros pela preservação do seu modo de vida adquiriu grande repercussão nacional e internacional. A proposta da “União dos Povos da Floresta” em defesa da Floresta Amazônica busca unir os interesses dos indígenas, seringueiros, castanheiros, pequenos pescadores, quebradeiras de coco babaçu e populações ribeirinhas, através da criação de reservas extrativistas. Essas reservas preservam as áreas indígenas e a floresta,além de ser um instrumento da reforma agrária desejada pelos seringueiros. Em 1987, Chico Mendes recebeu a visita de alguns membros da ONU, em Xapuri, que puderam ver de perto a devastação da floresta e a expulsão dos seringueiros causadas por projetos financiados por bancos internacionais. Dois meses depois leva estas denúncias ao Senado norte-americano e à reunião de um banco financiador, o BID. Os financiamentos a esses projetos são logo suspensos. Na ocasião, Chico Mendes é acusado por fazendeiros e políticos locais de “prejudicar o progresso”, o que aparentemente não convence a opinião pública internacional. Alguns meses depois, Mendes recebe vários prêmios internacionais, destacando-se o Global 500, oferecido pela ONU, por sua luta em defesa do meio ambiente.
Ao longo de 1988 participa da implantação das primeiras reservas extrativistas criadas no Estado do Acre. Ameaçado e perseguido por ações organizadas após a instalação da UDR no Estado, Mendes percorre o Brasil, participando de seminários, palestras e congressos onde denuncia a ação predatória contra a floresta e as violências dos fazendeiros contra os trabalhadores da região.
Após a desapropriação do Seringal Cachoeira, em Xapuri, propriedade de Darly Alves da Silva, agravam-se as ameaças de morte contra Chico Mendes que por várias vezes denuncia publicamente os nomes de seus prováveis responsáveis. Deixa claro às autoridades policiais e governamentais que corre risco de vida e que necessita de garantias. No 3º Congresso Nacional da CUT, volta a denunciar sua situação, similar à de vários outros líderes de trabalhadores rurais em todo o país. Atribui a responsabilidade pela violência à UDR. A tese que apresenta em nome do Sindicato de Xapuri, Em Defesa dos Povos da Floresta, é aprovada por aclamação pelos quase seis mil delegados presentes. Ao término do Congresso, Mendes é eleito suplente da direção nacional da CUT. Assumiria também a presidência do Conselho Nacional dos Seringueiros a partir do 2º Encontro Nacional da categoria, marcado para março de 1989, porém não sobreviveu até aquela data.
Em 22 de dezembro de 1988, exatamente uma semana após completar 44 anos, Chico Mendes foi assassinado na porta de sua casa por sua intensa luta pela preservação da amazônia. Casado com Ilzamar Mendes, deixou dois filhos, Sandino e Elenira, na época com dois e quatro anos de idade, respectivamente.
A justiça brasileira condenou os fazendeiros Darly Alves da Silva e Darcy Alves da Silva, responsáveis por sua morte, a 19 anos de prisão, em dezembro de 1990. Darly fugiu em fevereiro de 1993 e escondeu-se num assentamento do Incra, no interior do Pará, chegando mesmo a obter financiamento público do Banco da Amazônia, sob falsa identidade. Só foi recapturado em junho de 1996. A falsidade ideológica rendeu-lhe uma segunda condenação: mais dois anos e oito meses de prisão.




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Congresso Nacional pode fazer o que quiser, porém o Brasil há tempos vem sendo coagido “internacionalmente” a assumir a preservação ambiental, principalmente, na Amazônia.
Por isso, fazer samba com a morte de Chico Mendes não resolve nada aos brasileiros e muito menos aos acreanos que continuam derrubados com a barriga vazia.
Os naturalistas de plantão precisam se interessar pelos interesses regionais e não o internacional.
Contudo, se querem mesmo seguir o exemplo do seringalista, precisam assumir qual o sistema de preservação que ele defendia.
Não sabem????
Vou ajudá-los a descobrir.
1- O Chico defendia o sistema tradicional de extração por estradas, no meio do mato, com as seringueiras nativas que produz 1 quilo de borracha por estrada.
2- O Chico defendia o sistema ( tipo Fordilândia ), que é uma plantação em série, como as que existem no estado do Espírito Santo, que produz 1.625 quilos por estrada (dia).
Escolham!!
Se escolherem o 1 é porque são a
favor do trabalho escravo. Ninguém, em sã consciência pode sustentar-se, extraindo um 1 quilo de borracha por dia. (concordam?)
Se escolheram o número 2 é porque são a favor do desmatamento para abrir espaço ao replantio em série das seringueiras. Nesse caso não existe trabalho porem os habitantes no interior da selva deverão ficar um nível abaixo da escravidão.
Portanto entende-se que as medidas até agora adotadas pelos políticos e endossadas pelos presentes, só ferem a liberdade do individuo na região.
O Indio agora tem que andar na linha.
Contudo sabendo-se que por vários motivos o Brasil foi coagido internacionalmente em preservar o meio ambiente e principalmente essa parte da Floresta, seria mais sensato aos naturalistas que moram ai , (excluindo os oportunistas) e que sentiram-se prejudicados por não disporem mais da madeira, que reclamassem junto ao Congresso um salário, a parte, para os moradores da Amazônia.
Acredto que numa região que não se produz nada, que não tem garimpo , não tem madeireira, não tem industrias, não tem hidroeletricas, se o governo desse uma ajuda mensal de R$ 1.600,00 por habitante (a titulo de indenização) , apesar de pouco seria muito oportuno.
O que acham??
8 December 2008 at 9:40 am